sábado, 16 de julho de 2011

Olhos nos olhos.

Estava em seu quarto, dormindo em paz.
Estava certa em todos os seus pensamentos.
E respostas tinha para cada pergunta.
Dormia em paz.

No sonho, tranqüilo, ouvia a música mais suave de todas. A intensidade diminuía, estava em paz.

No outro dia, de manhã, depois de tomar café foi para o computador.
Estava distante, estava preocupada, estava com pressa.
Nenhum pensamento ruim, nenhum pensamento constante.
Naquele momento, sentia-se observada, ouviu um passarinho piar.
Olhou para a janela e o bem-ti-vi, estava lá, do lado de fora, observando-a.
Ela olhou para o passarinho e ele olhou-a de volta.
Foi o minuto mais longo da manhã.
E o passarinho voou.
Ela, então, levantou-se e abriu a janela.
Olhou para o céu, o dia estava claro, azul, mas não era possível ver o sol, ele estava do outro lado da casa, pois daquela janela, voltada para o oeste, era possível ver, somente, o pôr-do-sol.
Voltou-se para o quarto, olhou para o armário, a cama arrumada, as estantes, para cada objeto, sentia-se segura, mas sabia, no fundo que algo estava errado, e ela sabia o que era.
o Dia continuou, e por duas vezes, lembrou-se do bem-ti-vi e como ele tinha a observado.
Imaginou, as coincidências, estava cética demais, para crer que o passarinho a admirava.
Continuou o dia, que mais uma vez passara rápido de mais.
A rotina era sua principal aliada.

Era noite, e estava caminhando quando por um momento, se lembrou. Sabia, algo estava errado.
No fundo, sabia que não podia mudar, mas estava convencida de cada opinião formada.
Caminhou em paz até sua casa.

Mais tarde, no horário de dormir, pensou no bem-ti-vi, e pensou em tantas outras coisas.

Tudo o que pode fazer, antes de dormir, para ter mais uma noite de paz, foi esquecer e convencer-se mais uma vez, que o bem-ti-vi, estava lá por acaso, como todas as outras coisas presentes, no seu dia a dia, estavam lá, apenas por acaso.

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Duas semanas depois, nenhuma distração a satisfazia.
Sabia que não importava, nenhuma resposta que tivesse, nada que tivesse lido ou ouvido, nem mesmo aquela voz.
Sabia que palavras, eram apenas palavras.
Conhecia o poder e o sentido de cada uma delas, mas sabia no fundo, que estas palavras serviam apenas para camuflar e satisfazer seu próprio ego.

Sabia que para ter a verdadeira resposta, precisaria de contato, precisaria de um olhar, de um olhar como o do bem-ti-vi, porque somente outro, além do bem-ti-vi, havia a observado assim.


 Texto: Gabriel Chiesi
Foto:Murilo Fazanaro

Penso no final desta história, será que a janela permanece aberta na esperança de que o Bem-ti-vi um dia volte??

Um comentário:

geração espontânea disse...

rsrsrs...entendi tudo...né

Vê la meu blog pra voce ver...não devia mas fiz...

O que vc é agora...

senhor confusão..