"Talvez seja a aceitação o principio para a felicidade, ou talvez seja a ingenuidade. Quando começo a pensar em meus medos e fraquezas; defeitos e manias, tento analisar cada um deles e ver o que posso mudar para me tornar melhor. Encaro meus medos e questiono se são plausíveis, se são reais. Esta é uma pequena chave.
Alguns dizem que a felicidade se encontra no caminho, se encontra em trilhar nossa vida.
Outros, por ingenuidade, acreditam que a felicidade esta na realização de nossas vontades, na concretização de nossos desejos, isto não é felicidade é prazer; prazer é bom e essencial, mas o prazer pode se tornar banal e infeliz.
Creio que a pessoa ingênua, pode realmente ser feliz todos os dias de sua vida, alimentando seus anseios, contornando seus medos através de idéias, histórias e fantasias, fugindo sem saber da realidade da vida. Como uma criança japonesa, em 1945, olhando para o céu e admirando aquele vulto que desce, sorri e imagina ser um anjo, quando na verdade trata-se de uma bomba nuclear.
Como ser feliz depois de ter encarado o abismo?
Como ser feliz depois de ter meditado profundamente sobre todos os aspectos de sua vida e descobrir que tudo não passou de uma ilusão e que sua vida girava em torno de mentiras.
É encontrar-se sozinho. É esvaziar toda e qualquer vaidade, todo e qualquer sentimento. Perceber que mesmo seus defeitos, medos e fraquezas não passam de pequenas bobagens, é aceitar cada movimento involuntário de seu corpo, como teu. É buscando a origem de cada pensamento que você a encontra. Então, poderá relembrar de toda sua história e admirar cada momento que viveu. Lembrará de cada conquista e cada perda que teve, desde o dia em que aprendeu a nadar até o dia em que não tirou ninguém pra dançar e ficará satisfeito pelo dia de hoje e pelas inúmeras possibilidades. Depois disso, quando tudo que tinha sentido ficar completamente livre e sem direção, será realmente responsável pelos teus passos, serás livre, serás feliz. A felicidade está na aceitação e na liberdade. Aceite nossa frágil existência e tenha a morte como destino certo, não tendo medo de viver."
Parte VI - Nas batidas do meu peito. - Gabriel C.
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